22.9.16

Por dentro do livro: O segredo de Camilo - Prólogo



"O segredo de Camilo" é o meu quarto romance publicado, e neste novo livro, trago um pouquinho de mistério, porém, sem perder minha marca que é o amor romântico e inspirador.
Abaixo, segue o Prólogo da obra para vocês conhecerem.
Desde já agradeço pela visita e atenção. Abração a todos.



O segredo de Camilo - Prólogo




Não. Definitivamente não existe nada pior do que amar e não ser amado.
     
Talvez, é claro, alguém já tenha lido, em artigos na internet ou até mesmo em revistas, que a pior coisa do mundo é a traição – e realmente não é uma coisa boa – mas, para quem já amou e não foi correspondido, essa afirmação não é assim tão válida. O amor não correspondido desconstrói aos poucos aquele que ama. E isso é humilhante. A espera é humilhante. As investidas são humilhantes. Ouvir, pela milésima vez, que a pessoa não corresponde, é muito humilhante, mas, a indiferença que aquele que não corresponde ao sentimento demonstra friamente, é infinitamente mais humilhante. Quando há traição, é triste, sofrido e dói muito, contudo, em algum momento, você teve aquele ser amado só para você, em seus braços, em sua casa e muitas vezes em sua cama. Você descobre a traição e seu mundo quer acabar, mas, saber que a outra pessoa chegou depois de você, te dá um acalento ao poder dizer eu peguei primeiro. Então, amar sem ser amado, é sim, a pior de todas as coisas. Bem, pelo menos era isso que eu pensava até bem pouco tempo atrás.
     
Como assim? – você deve estar pensando. E eu explico: Encontrei algo que é bem pior do que amar e não ser amado. Conheci alguém que, além de não ter o sentimento correspondido, ainda recebia agressões verbais e físicas, vivendo muito aquém do que eu conhecia como uma história de amor.
     
Sou jornalista. Nasci no interior do Brasil e mudei para Curitiba assim que me formei. Meu currículo foi aceito por um grande jornal na capital paranaense que resolveu apostar em mim, e já faz mais de nove anos que trabalho aqui.
     
Curitiba é uma cidade grande, bonita e com clima gostoso, que no verão não me deixa sentir calor enquanto trabalho, e, no inverno, posso andar elegantemente vestida, como sempre gostei. Mas o que mais me atrai aqui é que, mesmo a cidade sendo uma grande capital, não exige que eu desperdice muito tempo me deslocando para trabalhar, passear ou sair às compras. O trânsito é organizado e o transporte público está no topo da lista dos melhores do país. Sem contar que foi aqui, em Curitiba, que conheci Diogo, meu amor, meu marido. Com ele eu vivo um verdadeiro conto de fadas. Estamos juntos há oito anos e meio, casados há sete, e temos dois filhos lindos, Davi, o mais velho, que fará sete anos em breve, e que eu sempre quis que tivesse nome de rei, e a caçula, Angélica, de cinco anos, que sim, é isso mesmo, tem todas as características de um ser angelical, tal como seu próprio nome já diz. Sou feliz com eles e sou uma grande sortuda, considero, sempre grata, porque minha família e a família do meu marido convivem bem.
    
É claro que não sou cega e, na condição de jornalista, já vi muitas atrocidades e horrores em lares e relacionamentos por todo lugar. Quando disse que há pouco tempo foi que passei a acreditar que existe algo pior que amar e não ser amado, foi porque, saindo do meu mundinho perfeito, onde o amor não é apenas teoria, e sim, ação, deparei-me com alguém que trazia as marcas da violência em sua alma, em seu coração, em seus olhos e, acreditem, em sua bela face.
     
Foi difícil entender o que acontecia. Ao levantar os olhos, deparei-me com alguém, à minha frente, que eu não compreendi num primeiro instante, nem num segundo, nem num terceiro, enfim. A única coisa que compreendi de imediato foi o sofrimento daquela alma – uma vítima, eu sabia.
     
Quando recebi a informação de que alguém queria falar comigo sobre sua história, os abusos sofridos, recusei logo de início. Romântica incorrigível que sou, minha coluna no jornal fala somente sobre a parte boa dos relacionamentos conjugais, exaltando o amor e a criação dos filhos. Eu não poderia e não gostaria de escrever sobre tragédias familiares. Meu editor foi quem me convenceu a conhecer a pessoa que me reivindicava, ao dizer, por cima do ombro, já a uma certa distância de mim, a Lei Maria da Penha não serve só para mulheres – e em seguida ele se afastou, lentamente, seguindo para sua sala.
     
Claro que ele me observava de longe e seguiu-me com os olhos quando, após segundos pensando no que enfrentaria ao conhecer aquele caso, peguei minha bolsa, meu iPhone e minha garrafa de água e saí, andando rápido, para o local indicado. Eu não sabia se escreveria sobre aquilo, mas, ter um homem me procurando para falar das agressões que sofrera e de suas consequências, era novo, e minha profissão me fez pensar primeiro na notícia, e depois, poderia haver algo bom naquela história, algo que eu pudesse usar em meus novos artigos no jornal.
     
Deparei-me, como já disse, com um sujeito pequeno, magro, cabelo curto esquisito, de pele pálida e olhos azuis, feições miúdas e que já fora bonito, aliás, ainda tinha belos traços. O aperto de mão foi firme e ele não sorriu. Respeitei.
     
      — Prazer! Meu nome é Cláudia Ramos. Sou jornalista e trabalho no...
     
     — Sei quem você é. Eu a mandei chamar – me interrompeu com sua voz tão franzina quanto ele. E se apresentou: — Eu sou Camilo.
     
     — Prazer – respondi. Reparei na roupa e no jeito de sentar. Devia ter sido alguém educado, de boa família, talvez. Quando olhou para o outro lado, uma tristeza parecia misturar-se a alguma outra coisa, que eu só viria a entender horas mais tarde, e senti prazer em estar ali.
     
    — O que vou lhe contar é absolutamente verdadeiro. Eu amei e não fui amado. Mas minha história é bem mais que isso. Vai publicá-la? – perguntou, sem rodeios.
     
     — Eu... eu... não sei – gaguejei. — Escrevo sobre coisas... boas – observei-o e ele não se moveu. — Sua história, posso sentir, é muito triste.
     
     — Nem tudo é o que parece – Camilo falou, olhando diretamente para mim.
     
     — Há algum motivo especial para que tenha me escolhido? Poderia ter chamado qualquer outra pessoa – indaguei.
     
     — Poderia – ele concordou. — Mas qualquer outra pessoa não se importa tanto com o amor, com as famílias, com o romantismo como você se importa.
     
Senti-me orgulhosa naquele momento. Ali estava alguém que, mesmo ferido, ainda acreditava no amor, e, de certa forma, eu havia contribuído para isso. — Mas...?
     
     — Repito: nem tudo é o que parece – Camilo moveu-se na cadeira. Cruzou os pés após esticar as pernas a para frente e as mãos sobre a barriga inexistente. — E eu ainda acredito no amor.
     
     — O que quer? Por que quer publicar sua história?
     
     — Porque quero que ela seja bem contada.
     
     — Só por isso? Isso não é, exatamente, acreditar no amor.
     
    — Tenho minha parcela de culpa na história. Às vezes, penso que sou vítima, outras, que sou vilão. Quero que isso seja decidido pelos seus leitores. Eles terão a resposta assim que descobrirem o segredo que carrego há meses.
     
Fiquei animada ao ouvir aquilo. Um segredo sempre dava boas tramas. Deus me perdoe, não sabia nem que tipo de história ouviria e já estava empolgada. Mas não era só isso que eu não sabia. Eu não sabia, também, que Camilo mudaria a minha vida para sempre, e que, sua história, não seria apenas publicada em meus artigos, mas que viraria um livro de sucesso. Ali, diante dele, iniciei a gravação no meu iPhone, e o tema que dei à história foi: O segredo de Camilo, por Cláudia Ramos.              


Aí está, pessoal. Espero que gostem.

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Hezaro Viana
     Escritor





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